Por que entender Pareto no tráfego pago muda completamente sua operação
No e-commerce, quase nunca o catálogo inteiro performa bem — e insistir nisso é o erro mais custoso em mídia paga. Em 90% das contas analisadas, 20% dos produtos geram 70% a 90% do ROAS. O resto do catálogo, quando anunciado indiscriminadamente, consome verba e derruba o retorno total da operação.
Isso acontece porque:
- nem todos os SKUs têm apelo comercial,
- nem todos têm margem saudável,
- a demanda de busca se concentra em poucos itens,
- e o algoritmo naturalmente entrega mais para o que converte.
Ou você controla Pareto, ou Pareto controla seu orçamento.
O que é Pareto aplicado a anúncios (versão prática para empresários)
O Princípio de Pareto, no tráfego pago, significa:
“Uma pequena parcela dos produtos gera a maior parte do lucro, do ROAS e da escala.”
É o fundamento para estruturar campanhas inteligentes em Google Ads, Meta Ads, Amazon Ads e Mercado Ads. Quando você encontra as “estrelas” do catálogo, tudo se torna mais previsível: lances, orçamento, clusterização, funil de criativos e expansão.
Por que só 20% dos produtos performam bem em anúncios?
Motivos técnicos e comerciais explicam isso:
- 1. Demanda do consumidor é concentrada: poucos SKUs têm alto volume de busca.
- 2. Taxonomia fraca: descrições ruins prejudicam relevância.
- 3. Criativos desiguais: alguns produtos têm apelo visual muito mais forte.
- 4. Margens diferentes: alguns absorvem desconto e CPC melhor.
- 5. Prova social desigual: reviews impulsionam conversão.
O algoritmo entrega mais onde há probabilidade maior de conversão — e isso concentra performance.
Framework AKUMA para identificar os 20% do catálogo que geram 80% do ROAS
Você descobre seus produtos “estrela” analisando três camadas de dados: ROAS → Margem → Demanda.
1. ROAS por SKU (a verdade que ninguém olha)
A análise deve ser por produto, não por campanha. Ferramentas: Google Ads Reports, Meta Breakdown by Product ID, Amazon Reports ou ERP.
Matriz:
- ROAS ≥ meta: candidatos a estrela
- ROAS muito acima da meta: estrela confirmada
- ROAS abaixo da meta mas com alto CTR: estrela com problema comercial
2. Margem por SKU
Um produto bom em anúncio precisa de margem para absorver CPC, promoções e abandono.
Categorias de margem:
- A: > 35%
- B: 25%–35%
- C: < 25%
Produtos estrela geralmente pertencem às margens A e B.
3. Demanda de mercado (volume de busca + concorrência)
Use ferramentas como Google Keyword Planner, Amazon Brand Analytics ou dados internos.
- Volume alto + concorrência moderada → estrela com escalabilidade
- Volume médio + baixo CPA → estrela defensiva
- Volume baixo + alto ROAS → estrela nichada
A Curva ABC aplicada à mídia: sua nova forma de gerenciar orçamento
Depois de identificar Pareto, você classifica o catálogo em três grupos:
Classe A — Os 20% que geram 80% da receita e do ROAS
- Produtos com melhor conversão;
- Maior margem;
- Volume de busca alto;
- CTR alto.
Regra: 60% a 80% do orçamento deve ir para Classe A.
Classe B — Os que têm potencial mas precisam de ajustes
- ROAS próximo da meta;
- Margem média;
- Imagens boas, mas não excelentes;
- Problemas resolvíveis (ex.: título ruim, falta de reviews).
Classe C — O ralo do orçamento
- Produtos com baixo interesse de mercado;
- Margem baixa;
- CTR ruim;
- Preços não competitivos.
Só anuncie Classe C com objetivo estratégico (ex.: giro de estoque).
Como montar campanhas baseadas em Pareto (modelo pronto)
Essa estrutura funciona em Meta, Google, Amazon e Mercado Livre.
1. Campanhas exclusivas para Classe A
Produtos estrela precisam de estrutura própria:
- Orçamento alto e isolado;
- Criativos feitos sob medida;
- Destaque na página inicial e nos anúncios.
2. Campanhas separadas para Classe B
Aqui você trabalha otimização, não escala. Objetivo: transformar Classe B em Classe A.
- Teste de criativos;
- Melhoria de preço;
- Reforço de social proof;
- Ajuste de SEO interno.
3. Classe C — o que fazer
- Remarketing;
- Campanhas de liquidação;
- Bundles;
- Corte progressivo de verba.
Nunca misture Classe A e Classe C — você destrói aprendizado.
Como identificar produtos estrela no Meta Ads
Use quebra por ID do produto:
- Ads Manager → Análise e relatórios → Tabela → Desagregar por “Produto”.
Avalie:
- ROAS por SKU;
- Impressões x CTR;
- Eventos de conversão por produto;
- Custo por compra.
Se não consegue segmentar por produto, seu Pixel/CAPI estão mal implementados.
Como identificar produtos estrela no Google Ads
As campanhas de Shopping e PMax já classificam desempenho por produto:
- Google Ads → Campanhas → Produtos → “Produtos individuais”.
Observe:
- ROAS por ID;
- Taxa de conversão;
- CPC por SKU;
- Termos de busca associados.
Produtos que mais aparecem e mais convertem tendem a ser Classe A.
Como identificar produtos estrela na Amazon e Mercado Livre
Amazon Advertising
- Report “Search Term” + “ASIN Performance”;
- Identifique ASINs com ACOS baixo e alta demanda;
- Avalie BuyBox, preço e reviews.
Mercado Ads
- Clusterize por SKU;
- Verifique lances por conversão;
- Compare exposição orgânica vs. paga.
O segredo: Estrela não é só quem vende mais — é quem entrega mais ROAS
Muita operação comete o erro de chamar de “produto estrela” o item com maior faturamento. Errado.
Produto estrela é aquele que:
- tem melhor conversão,
- tem melhor margem,
- atrai tráfego qualificado,
- cresce de forma escalável.
Faturamento isolado é métrica de vaidade. ROAS sustentável é métrica de lucro.
Como transformar produtos B em A (otimização profunda)
Use este checklist:
- Melhorar imagens (principal e secundárias);
- Adicionar vídeo (Amazon, Meta, site);
- Otimizar título com palavras de intenção;
- Adicionar reviews (programas nativos);
- Criar criativo dedicado para o SKU;
- Melhorar preço competitivo;
- Ativar campanhas somente desse SKU por 7 dias;
- Garantir estoque consistente por 30 dias.
Melhorando o produto certo, você destrava 80% da escala.
Erros que impedem identificar Pareto (e matam ROAS)
- Campanhas com catálogo inteiro misturado;
- Falta de rastreamento por produto (Pixel/CAPI/GA4 mal configurados);
- Catálogo com imagens ruins;
- Foco em “vender tudo” em vez de “vender o que performa”;
- Uso de feed genérico sem atributos completos;
- Não atualizar estoque e preço diariamente.
Checklist final para aplicar Pareto na sua operação
- ROAS por SKU mapeado?
- Margem por SKU calculada?
- Demanda de busca validada?
- Classe A identificada (20%)?
- Classe B com plano de otimização?
- Classe C com verba limitada?
- Campanhas separadas por cluster?
- Operator review semanal dos top 20 SKUs?
Conclusão
O Princípio de Pareto é um dos maiores aceleradores de lucratividade no e-commerce. Quando você identifica os produtos estrela — e organiza sua mídia, seu catálogo e sua operação em torno deles — tudo se torna mais eficiente.
Você reduz desperdício, escala com segurança e transforma seu orçamento em lucro real. No fim, anunciar bem não é anunciar tudo. É anunciar o que realmente performa.

