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Como Aplicar a Curva ABC no E-commerce e Marketplace: O Método que Multiplica Margem, Giro e Eficiência Operacional

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Aprenda a aplicar a Curva ABC de forma prática e estratégica para melhorar giro, margem, compras, estoque e precificação no e-commerce.

A verdade que poucos empresários entendem sobre a Curva ABC

A Curva ABC não é uma planilha bonita para análise mensal — é uma ferramenta estratégica de gestão capaz de reduzir ruptura, aumentar giro, melhorar margem e organizar toda a operação. Enquanto a maioria dos empresários usa ABC apenas para “classificar produtos”, empresas de alta performance usam para decidir o que comprar, quanto comprar, onde armazenar, quanto investir e como precificar.

Quando bem aplicada, a Curva ABC traz clareza brutal para a operação: poucos SKUs geram a maior parte da receita, do lucro e dos problemas logísticos. Controlar esses itens muda completamente o desempenho da empresa.

O que é — de verdade — a Curva ABC

A Curva ABC é um método de categorização de SKUs com base no impacto financeiro (faturamento, margem ou giro). A regra clássica é:

  • Classe A: ~20% dos SKUs que representam ~70% do faturamento.
  • Classe B: ~30% dos SKUs que representam ~20% do faturamento.
  • Classe C: ~50% dos SKUs que representam ~10% do faturamento.

Mas no e-commerce moderno, a Curva ABC pode (e deve) ser aplicada com variações:

  • ABC por margem;
  • ABC por volume;
  • ABC por lucratividade;
  • ABC por giro;
  • ABC por criticidade logística.

Uma operação profissional usa múltiplas curvas ABC simultaneamente — cada uma para um objetivo estratégico.

Passo a passo para aplicar a Curva ABC corretamente

O processo é simples na teoria, mas exige rigor para ser útil na gestão. A seguir, o método que recomendamos nas consultorias.

1. Defina o indicador da ABC

Você precisa escolher o que controlar:

  • Faturamento gerado por SKU (mais comum para compras).
  • Margem de contribuição gerada por SKU (melhor para precificação).
  • Quantidade vendida (útil para logística).
  • Giro de estoque (controle de ruptura).

Empresas maduras usam o faturamento para compras, a margem para pricing e o giro para estoque.

2. Ordene os SKUs em ordem decrescente

Ordene todos os SKUs pelo indicador escolhido — do maior para o menor. Isso revela imediatamente quais itens são responsáveis pela maior parte da performance.

3. Calcule o percentual acumulado

Depois de ordenado:

  • Calcule o percentual que cada SKU representa no total.
  • Calcule o percentual acumulado linha a linha.

Quando o acumulado chega em ~70%, encerramos a classe A; quando chega em ~90%, encerramos classe B; o restante é classe C.

4. Classifique A, B e C

A classificação final pode seguir o padrão clássico — ou pode ser ajustada ao comportamento da sua operação.

Exemplo tradicional:

  • Classe A: até 70% acumulado
  • Classe B: 70% a 90%
  • Classe C: 90% a 100%

Em marketplaces, onde há maior concentração de receita nos top SKUs, é comum ter 10% dos produtos representando 80% do faturamento. Ou seja, uma ABC ainda mais concentrada — típico de operação agressiva.

Como usar a Curva ABC para decisões estratégicas

A ABC só é valiosa quando altera decisões. A seguir, como extrair o máximo da ferramenta.

1. Compras e reabastecimento

  • Classe A: reposição frequente, estoque de segurança maior, negociação forte com fornecedor.
  • Classe B: reposição moderada, estoque de segurança intermediário.
  • Classe C: compras pontuais, evitar estoque alto, análise de descontinuação.

Empresas que aplicam ABC reduzem ruptura em 40% e reduzem estoque parado em até 30%.

2. Precificação

  • Classe A: margens mais consistentes, preço competitivo, monitoramento de concorrência.
  • Classe B: testar elasticidade, aproveitar oportunidades de margem.
  • Classe C: margens mais altas, menos sensibilidade de preço.

Se você usa a mesma margem para todas as classes, você está perdendo dinheiro todos os meses.

3. Logística e layout de estoque

  • Classe A: deve ficar no local mais acessível do estoque (picking rápido).
  • Classe B: áreas intermediárias.
  • Classe C: áreas distantes ou em posições superiores.

Alinhar ABC ao layout reduz até 30% do tempo de picking.

4. Marketing e campanhas

  • Classe A: foco em campanhas de alto volume (Google Shopping, Buy Box).
  • Classe B: campanhas de otimização de margem.
  • Classe C: ofertas pontuais, combos, bundles e estratégias de limpeza.

5. Decisões de catálogo

  • Classe A: produtos essenciais, jamais deixar faltar.
  • Classe B: analisar performance mensal.
  • Classe C: avaliar descontinuação ou substituição.

A Curva ABC reduz complexidade e aumenta eficiência no mix.

Variações avançadas da Curva ABC para operações maiores

Quando o negócio cresce, a ABC tradicional pode ficar limitada. A seguir, abordagens avançadas:

1. ABC XYZ

Combina valor (ABC) com previsibilidade de demanda (XYZ). Alta performance em planejamento de compras.

2. ABC por canal (site vs marketplace)

Um SKU pode ser A no marketplace e C no site. Estratégias diferentes por canal aumentam ROI e margem.

3. ABC por lucratividade

Mesma dinâmica de faturamento, mas focando em margem — ideal para precificação profissional.

4. ABC por giro

Itens de giro rápido devem ser controlados com prioridade operacional.

Exemplo prático simplificado

Considere um mix com faturamento mensal:

  • SKU 1: R$ 70.000
  • SKU 2: R$ 45.000
  • SKU 3: R$ 20.000
  • SKU 4: R$ 7.000
  • SKU 5: R$ 3.000

Total: R$ 145.000

Percentual do total:

  • SKU 1: 48%
  • SKU 2: 31%
  • SKU 3: 14%
  • SKU 4: 5%
  • SKU 5: 2%

Classificação:

  • Classe A: SKU 1 e 2 (79% acumulado)
  • Classe B: SKU 3 (93%)
  • Classe C: SKU 4 e 5 (100%)

Erros comuns ao aplicar a Curva ABC

  • Usar ABC apenas para compras.
  • Calcular ABC uma vez por ano.
  • Não usar indicadores diferentes (margem, giro, lucratividade).
  • Tratar classe C como irrelevante (ela define estoque parado).
  • Não sincronizar ABC com layout de estoque.

Frequência ideal de atualização

Para operações de e-commerce e marketplace:

  • Atualização mensal: recomendado.
  • Atualização quinzenal: para operações de alto giro.
  • Atualização semanal: para picos sazonais (Black Friday, Natal).

Conclusão

A Curva ABC é uma das ferramentas mais poderosas para gestão de estoque, margem, precificação e logística. Aplicada corretamente, reduz estoque parado, evita ruptura, aumenta margem e melhora eficiência operacional. Aplicada superficialmente, vira apenas um gráfico bonitinho na apresentação mensal.

Empresas que tratam a ABC como ferramenta de decisão — e não como relatório — constroem operações mais enxutas, lucrativas e previsíveis. A ABC revela onde focar, onde investir e o que eliminar. E, no e-commerce, foco é a moeda mais valiosa.

Guilherme Z. - Consultor de E-commerce

Sobre o autor

Guilherme Z. — Consultor de E-commerce e Marketplaces

Especialista em e-commerce e marketplaces com mais de 10 anos de experiência em grandes empresas como Netshoes, Decathlon e GPA. Fundador da AKUMA, ajuda empresas a escalarem suas operações digitais com estratégia e tecnologia.

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