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Chargeback e Fraude: Como se proteger financeiramente e contestar fraudes no site próprio

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Guia completo para prevenir fraude, reduzir chargeback e contestar transações no site próprio com eficiência financeira.

Por que chargeback é mais destrutivo do que parece — e o impacto financeiro real

No marketplace o risco de fraude é menor porque a plataforma assume parte da responsabilidade. Mas no site próprio, o empresário enfrenta uma dura realidade: todo o risco financeiro e operacional é seu. A cada chargeback, você perde:

– O valor da venda
– O produto enviado
– O frete de ida e, muitas vezes, o de volta
– A taxa do gateway/adquirente (que raramente é devolvida)

Ou seja: um chargeback de R$ 400 pode virar um prejuízo de R$ 600 a R$ 800 dependendo da logística. Isso torna a fraude um dos maiores inimigos da margem no e-commerce. Não é exagero dizer que 10 chargebacks por mês podem destruir o lucro de toda a operação.

As três origens do chargeback — e como tratar cada uma de forma diferente

Empresários costumam colocar tudo na mesma caixa: “fraude”. Mas chargeback tem três causas distintas, e cada uma exige uma estratégia de defesa.

1. Fraude deliberada (comprador não é o dono do cartão)
Aqui o criminoso usa dados roubados ou clonados. Surge mais em compras rápidas, de alto valor ou envio imediato.

2. Fraude amigável (cliente esqueceu, se arrependeu ou não reconheceu a compra)
Responde por 40% a 60% dos chargebacks. O cliente age como se fosse vítima, mesmo não sendo. Pode ser evitado com comunicação clara.

3. Erro operacional
– Envio errado
– Produto defeituoso
– Atraso excessivo
Nesses casos, o chargeback é consequência da má operação, não da fraude.

A regra é simples: identifique a origem do problema antes de contestar — cada tipo exige documentação diferente.

Como blindar o site próprio contra fraude: a arquitetura de segurança mínima

Fraude não se combate com “esperança”. Se combate com sistema, cruzamento de dados e fricção inteligente. Aqui está o protocolo usado por operações profissionais:

1. 3DS 2.0 (autenticação do emissor)
A etapa mais poderosa contra fraude deliberada. Quando o banco autentica o comprador, o risco de chargeback é transferido para o emissor.

2. Análise antifraude com score
Empresas como ClearSale, Konduto, FControl e outras cruzam dados: dispositivo, localização, CPF, cartão, histórico e padrão de comportamento.

3. Lista negra e lista branca
– Blacklist: emails, CPFs, CEPs e dispositivos suspeitos.
– Whitelist: clientes recorrentes aprovados automaticamente.

4. Limites de compra e filtros por comportamento
– Bloquear compras acima de “X” sem autenticação forte.
– Rejeitar múltiplas tentativas com cartões diferentes.
– Revisar manualmente compras de alto risco.

5. Captura tardia (authorize → capture)
Você autoriza a compra, mas só captura após confirmação antifraude. Impede prejuízos em transações suspeitas.

6. Mecanismos de verificação de identidade
Para pedidos suspeitos, solicitar:
– Documento (frente/verso)
– Selfie
– Confirmação via email ou telefone

Nenhuma operação saudável envia produto de ticket médio alto sem mecanismos robustos de validação.

Checklist financeiro: como calcular o impacto real de cada chargeback

Empresários enxergam chargeback como “perda”. Mas é preciso calcular o impacto total para tomar decisões maduras. Use este modelo:

1. Valor do pedido: R$ 400
2. Taxa do gateway: –R$ 15
3. Frete pago: –R$ 22
4. Custo do produto: –R$ 180
5. Embalagem: –R$ 4
6. Aluguel do antifraude: proporcional ao volume

Prejuízo total por fraudes recorrentes pode representar 3% a 10% do faturamento mensal. Sem controle, você perde mais para fraude do que para imposto.

Como contestar um chargeback com alta taxa de reversão (documentação estratégica)

Para reverter chargeback, o segredo não é “insistir”. É apresentar o pacote de evidências correto conforme o motivo do chargeback. Cada adquirente aceita um conjunto de provas. Veja o protocolo mais eficaz:

1. Comprovante de entrega
– Nome do recebedor (ideal: mesmo CPF do comprador)
– Foto da entrega quando disponível
– Rastreamento mostrando entrega bem-sucedida

2. Dados do pedido
– IP da compra
– Dispositivo usado
– Endereço igual ao do titular
– Histórico de compras anteriores

3. Comunicação com o cliente
Capturas de tela de e-mails, mensagens, atendimento e confirmação.

4. Nota fiscal
Emitida corretamente, com dados idênticos aos da compra.

5. Prova de uso (quando aplicável)
Alguns casos permitem anexar prints de login no sistema, recarga usada, licenças ativadas etc.

Taxas de reversão: operações profissionais chegam a 30%–60% de reversão em chargebacks de “não reconheço a compra”.

Fraude amiga: como reduzir 50% desse tipo de chargeback apenas com comunicação

Fraude amigável é a mais fácil de prevenir e a mais comum. Ela acontece porque o cliente esquece que comprou, não reconhece o nome da empresa na fatura ou se arrepende.

Soluções práticas:

1. Coloque o nome da loja de forma clara na fatura (descriptor).
2. Envie e-mail + SMS de confirmação de compra.
3. Envie atualizações de entrega a cada etapa.
4. Garanta um suporte fácil de encontrar — quando não encontra, o cliente pede chargeback.

Uma simples mudança no nome exibido na fatura reduz chargeback em até 40% em algumas operações.

Como construir uma operação antifraude sustentável (rotinas e indicadores)

Proteção contra fraude não é projeto — é rotina. Empresas maduras monitoram três indicadores semanais:

1. Taxa de rejeição do antifraude
Se estiver muito alta, você está perdendo vendas legítimas.

2. Taxa de chargeback por bandeira
Algumas bandeiras têm risco maior dependendo do nicho.

3. Ticket médio dos pedidos fraudados
Permite criar regras automáticas de bloqueio e revisão.

Rotinas obrigatórias:
– Análise diária de pedidos suspeitos
– Revisão semanal das regras de risco
– Auditoria mensal de chargebacks contestados e reversões

A empresa que melhora 1% da segurança por semana reduz prejuízo em milhares de reais por trimestre.

Conclusão

Fraude e chargeback não são problemas “de cartão” — são problemas de operação, caixa e margem. A empresa que encara o tema de forma profissional protege lucro, reduz perdas e constrói uma estrutura de pagamento confiável. Já quem negligencia vive apagando incêndios, perdendo dinheiro e criando insegurança para o cliente.

A verdade é simples: fraude não acaba, mas pode ser controlada ao ponto de deixar de ser uma ameaça financeira.

Guilherme Z. - Consultor de E-commerce

Sobre o autor

Guilherme Z. — Consultor de E-commerce e Marketplaces

Especialista em e-commerce e marketplaces com mais de 10 anos de experiência em grandes empresas como Netshoes, Decathlon e GPA. Fundador da AKUMA, ajuda empresas a escalarem suas operações digitais com estratégia e tecnologia.

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