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Segurança de Dados no ERP: Como Blindar Sua Operação Contra Vazamentos, Perdas e Fraudes

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Como proteger dados críticos dentro do ERP e evitar fraudes, perdas, vazamentos e interrupções operacionais.

Por que segurança de dados no ERP é um tema crítico (e subestimado) pelos empresários

Para a maioria das empresas, o ERP é o coração operacional: estoque, pedidos, fiscal, financeiro, catálogo, preços e dados de clientes passam por ele. Ainda assim, muitos empresários negligenciam a segurança de dados porque acreditam que “o ERP cuida disso sozinho”. Não cuida.

Segurança de ERP é uma responsabilidade compartilhada: parte depende do fornecedor (infra, criptografia, autenticação), mas outra parte — igualmente crítica — depende da operação (permissões, acessos, logs, processos, governança e cultura). Um erro de acesso interno ou uma falta de segregação compromete muito mais do que um ataque externo.

Empresas que escalam sem pensar em segurança inevitavelmente enfrentam: vazamento de dados, fraude interna, exclusão de pedidos, alterações de estoque sem rastro, notas fiscais manipuladas ou até sequestro de informações por ransomware.

As principais ameaças que impactam diretamente o ERP

Existem quatro categorias de risco que se repetem em operações de todos os tamanhos:

1. Ameaças internas (as mais perigosas)

80% dos incidentes de ERP começam internamente:

  • funcionários alterando preços ou estoques sem autorização,
  • exclusão proposital ou acidental de pedidos,
  • manipulação de notas fiscais,
  • acessos indevidos ao financeiro,
  • transferências de estoque não registradas.

Sem controle de permissões e logs auditáveis, você nunca saberá quem fez o quê — e isso abre espaço para fraudes e prejuízos silenciosos.

2. Ameaças externas (ataques e ransomware)

Ataques típicos incluem:

  • roubo de credenciais,
  • tentativas de login massivo,
  • ataques de ransomware que sequestram dados,
  • interceptação de informações fiscais ou financeiras.

A exposição aumenta quando o ERP não utiliza autenticação forte ou acessos externos não são protegidos.

3. Falhas estruturais da configuração

Erros de configuração causam prejuízo real:

  • permissões amplas demais,
  • nenhuma segregação entre financeiro, estoque, fiscal,
  • backups inexistentes,
  • usuários ativos mesmo após desligamento.

4. Integrações inseguras com hubs, marketplaces e serviços externos

APIs são portas de entrada se mal configuradas:

  • tokens armazenados sem criptografia,
  • integrações sem autenticação forte,
  • falta de logs de chamadas externas.

Quanto mais integrações, maior o risco — se a arquitetura não estiver sob controle.

Os pilares de segurança que toda empresa deve implementar no ERP

Empresas maduras consolidam segurança em 7 pilares. Cada um deles reduz riscos e bloqueia brechas críticas.

1. Controle de acesso baseado em papéis (RBAC)

O ERP deve operar com permissões mínimas necessárias. Isso significa:

  • estoquista não acessa financeiro,
  • expedição não acessa cadastro de produtos,
  • fiscal não altera preço,
  • marketing não altera estoque.

Crie papéis claros:

  • Admin,
  • Financeiro,
  • Fiscal,
  • Expedição,
  • Compras,
  • Marketing,
  • Gestão.

2. Autenticação forte (MFA/2FA)

Ative autenticação de dois fatores em:

  • ERP,
  • hub,
  • marketplaces,
  • painéis administrativos.

Um funcionário usando senha fraca é a principal porta de entrada para ataques externos.

3. Logs e trilhas de auditoria

Sem logs, não há como detectar e corrigir incidentes. O ERP deve registrar:

  • quem acessou,
  • o que alterou,
  • quando alterou,
  • antes e depois da alteração.

Auditorias quinzenais detectam alterações indevidas antes que virem prejuízo.

4. Segregação entre estoque, financeiro e fiscal

Muita fraude interna nasce da mistura de funções. Exemplos:

  • pessoa que lança entrada de nota não deve poder lançá-la no financeiro,
  • picking não deve ter acesso à devolução fiscal,
  • pessoa do caixa não deve alterar cadastro de produtos.

Segregação = rastreabilidade + segurança.

5. Backups automáticos e testados

Backup não serve para “ter uma cópia”. Backup serve para recuperar a empresa em minutos se algo der errado.

Checklist:

  • backups automáticos diários,
  • armazenamento seguro e criptografado,
  • restauração testada (simulação trimestral),
  • backup externo ao ERP (quando possível).

Um backup que nunca foi testado não é backup — é esperança.

6. Criptografia e segurança de integrações

Integrações são pontos sensíveis porque contêm dados fiscais, pedidos e estoque.

Requisitos essenciais:

  • tokens armazenados de forma criptografada,
  • uso obrigatório de HTTPS/TLS,
  • validação de origem das chamadas,
  • restrição de endpoints sensíveis.

Operações maduras monitoram o consumo da API e detectam chamadas suspeitas rapidamente.

7. Política de ciclo de vida de usuários

Erros comuns:

  • funcionários desligados continuam ativos no ERP,
  • usuários compartilhados,
  • senhas iguais entre setores,
  • permissões esquecidas após mudança de função.

Boas práticas:

  • criar usuário único para cada pessoa,
  • revogar acesso no dia do desligamento,
  • revisar acessos mensalmente,
  • bloquear contas inativas.

Como proteger dados sensíveis dentro do ERP

Os dados mais críticos do ERP são:

  • dados de clientes (LGPD),
  • dados fiscais,
  • dados de vendas,
  • estoque e preços,
  • financeiro (contas, boletos, extratos).

Proteção recomendada:

  • criptografia em repouso (quando fornecida),
  • limitação de exportação de relatórios,
  • audit trail ativo,
  • bloqueio de edição após faturamento.

Sinais de que sua operação está vulnerável

Se qualquer um desses pontos acontece hoje, você já tem risco de incidente:

  • estoque altera sozinho,
  • pedidos somem ou mudam de status sem registro,
  • notas fiscais são corrigidas sem histórico,
  • devoluções sem registro físico,
  • duas pessoas usando o mesmo login,
  • backup nunca foi testado,
  • funcionário desligado ainda aparece como usuário ativo.

Modelo de governança recomendado para e-commerce

Empresas maduras seguem este modelo:

  • ERP = fonte da verdade, permissões rígidas.
  • Hub = integrações, sem dados fiscais.
  • Plataformas externas = acessos segregados.
  • Backup = automático + validado.
  • Auditoria = periódica.

Checklist de segurança para implementar imediatamente

  • Ativar 2FA no ERP.
  • Revisar todos os usuários ativos.
  • Criar papéis com permissões mínimas.
  • Configurar logs e trilhas de auditoria.
  • Revisar acessos do hub e integrações externas.
  • Ativar backup automático e testar restauração.
  • Criptografar tokens de API.
  • Mapear processos internos que geram risco (devoluções e fiscal).

Conclusão

Segurança de dados no ERP não é um “projeto técnico” — é uma fundação de operação. Sem proteção, qualquer problema interno ou externo pode derrubar vendas, gerar multas, comprometer o fiscal e destruir reputação.

Quando a empresa implementa controles, permissões, criptografia e governança, o ERP deixa de ser um ponto de vulnerabilidade e se torna um pilar de confiança. Segurança é silenciosa: você só percebe quando não tem. Por isso, deve ser prioridade desde hoje.

Guilherme Z. - Consultor de E-commerce

Sobre o autor

Guilherme Z. — Consultor de E-commerce e Marketplaces

Especialista em e-commerce e marketplaces com mais de 10 anos de experiência em grandes empresas como Netshoes, Decathlon e GPA. Fundador da AKUMA, ajuda empresas a escalarem suas operações digitais com estratégia e tecnologia.

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