AKUMA
Precificação & Margem

Checklist do CMV na Planilha de Precificação: Os Itens que Definem se Sua Margem é Real

5 min de leitura
Compartilhar:

Checklist completo para estruturar o CMV corretamente na planilha de precificação e evitar margens ilusórias.

Por que 70% dos CMVs nas planilhas estão errados

O CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é a base de qualquer precificação, margem ou cálculo de preço mínimo. Mas, na prática, a maior parte das empresas calcula o CMV de forma simplificada demais: consideram apenas o custo de compra e esquecem custos indiretos, logísticos, tributários e variáveis que deveriam compor o custo final de entrada. Resultado? A margem fica inflada, a precificação fica distorcida e o empresário toma decisões baseado em dados ilusórios.

Em operações que faturam entre R$ 500 mil e R$ 10 milhões/mês, um CMV mal calculado pode corroer entre 8% e 20% da margem de contribuição. Por isso, um checklist rigoroso é essencial para garantir que o CMV na planilha represente a realidade financeira da operação.

Checklist oficial do CMV para planilhas de precificação

A seguir, o checklist completo que todo empresário deve aplicar ao montar ou auditar seu CMV.

1. Custo de Compra (obrigatório)

  • Preço unitário negociado
  • Descontos comerciais aplicados na compra
  • Bonificações convertidas em valor

Esse é o ponto de partida — mas é apenas a “ponta do iceberg”.

2. Impostos na Compra

  • ICMS destacado (quando aplicável)
  • ICMS-ST pago (antes de ressarcimento ou complemento)
  • DIFAL de aquisição (se interestadual B2B)
  • PIS/COFINS (para regimes não cumulativos ou crédito de insumos)

A inclusão correta desses tributos altera radicalmente o custo real, especialmente em operações com ST.

3. Custo Logístico de Inbound

  • Frete de entrada (rateado por volume, peso ou valor)
  • Seguro da carga
  • Taxas de recebimento ou manuseio

O frete de inbound costuma representar 2% a 8% do CMV real e é um dos itens mais ignorados pelos empresários.

4. Custo de Armazenagem e Manuseio (quando variável)

  • Custo por recebimento
  • Custo por cubicagem ocupada
  • Custo unitário de picking/packing (se rateado por pedido/SKU)

Se a armazenagem for fixa, não entra no CMV. Mas se for por unidade, pedido, volume ou peso, é obrigatória.

5. Rateios obrigatórios

  • Custo de embalagem unitária
  • Custo de etiqueta e impressão
  • Kits ou bundles que exigem mão de obra adicional

Itens pequenos, mas que acumulados representam 1% a 3% da margem da operação.

6. Ajustes tributários de ST e DIFAL

  • Complemento de ICMS-ST (quando preço real > preço presumido)
  • Ressarcimento de ICMS-ST (quando preço real < preço presumido)
  • DIFAL residual por operação (quando não repassado)

Esses ajustes mudam o custo líquido e precisam ser considerados na precificação.

Itens que não devem entrar no CMV (mas muitos empresários colocam)

Para evitar distorções, é importante separar o que realmente pertence ao CMV do que deve permanecer nos custos variáveis ou despesas.

  • Taxa de marketplace → custo variável, não CMV.
  • Taxa de cartão → custo variável.
  • Frete grátis → custo variável.
  • Impostos sobre receita (Simples, ICMS venda, PIS/COFINS) → variáveis.

Colocar isso no CMV distorce DRE gerencial, gera markup errado e mascara problemas de margem.

Como organizar o CMV na planilha de precificação

Para garantir que o CMV esteja sempre correto, use esta estrutura de cálculo:

CMV Real = Custo de Compra + Tributos de Compra + Inbound Logístico + Armazenagem Variável + Embalagem / Rateios ± Ajustes ST e DIFAL

Esse CMV é a base do preço mínimo e da margem real. É ele que deve alimentar sua fórmula de precificação:

Preço de Venda = CMV Real / (1 − Custos Variáveis Totais)

Exemplo prático de CMV completo

Suponha um produto com os seguintes dados:

  • Custo de compra: R$ 40
  • ICMS-ST pago: R$ 6
  • Frete inbound: R$ 3
  • Embalagem: R$ 1,20
  • Complemento ST: R$ 1,50

CMV total:

40 + 6 + 3 + 1,20 + 1,50 = R$ 51,70

Se você precificar pensando que o CMV é “40”, sua margem ficará artificialmente inflada.

Sinais de que seu CMV está errado hoje

  • Margem do ERP ≠ margem da planilha.
  • Mix parece rentável, mas caixa vive apertado.
  • Promoções geram prejuízo inesperado.
  • Categoria de alto giro não gera lucro.
  • Reposição de estoque “consome caixa demais”.

Esses sintomas indicam que seu CMV não reflete o custo real por SKU.

Framework de implementação do CMV profissional

Para padronizar o CMV e integrá-lo ao processo de precificação, aplique o seguinte framework:

  1. Identificar todos os componentes do CMV — tributário e logístico.
  2. Criar tabela de CMV por SKU no ERP ou planilha central.
  3. Atualizar custos mensalmente (ou quinzenalmente em categorias voláteis).
  4. Acompanhar ICMS-ST e DIFAL por UF para ajustes contínuos.
  5. Integrar CMV ao cálculo de preço mínimo para evitar margens negativas.

Empresas que executam esse framework reduzem em até 40% os erros de precificação e aumentam a previsibilidade de margem SKU a SKU.

Conclusão

O CMV é o coração da precificação. Quando ele está errado, todo o resto está errado: markup, margem, preço mínimo, Black Friday, frete grátis, campanhas e até o planejamento de caixa. Um checklist estruturado garante que o CMV represente o custo real de entrada da mercadoria — e não uma versão simplificada e ilusória.

Empresários que dominam o CMV constroem preços profissionais, protegem margem e tomam decisões com base em dados reais, não em suposições.

Guilherme Z. - Consultor de E-commerce

Sobre o autor

Guilherme Z. — Consultor de E-commerce e Marketplaces

Especialista em e-commerce e marketplaces com mais de 10 anos de experiência em grandes empresas como Netshoes, Decathlon e GPA. Fundador da AKUMA, ajuda empresas a escalarem suas operações digitais com estratégia e tecnologia.

Gostou? Compartilhe:

Pronto para transformar seu negócio?

Descubra como a AKUMA pode otimizar sua operação em marketplaces e e-commerce com tecnologia de ponta.

Fale com a AKUMA